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As ações da Magazine Luiza (MGLU3) vão continuar subindo com a crise do Coronavírus?

Atualizado: Mai 2


Seria este o fim do maior rally de alta dos últimos tempos?

As ações da Magazine Luiza (MGLU3) são um fenômeno que dispensa apresentação. Indiscutivelmente o maior case de reestruturação da história recente do mercado brasileiro, as ações entregaram retornos assombrosos, que na máxima ultrapassaram os 20.000%.


A empresa adotou estratégias de foco no cliente, com desenvolvimento de seus canais de venda online e criação de um marketplace, nos moldes do que já se observou sucesso no exterior. O resultado foi uma explosão das vendas e de reconhecimento da marca, resultando em maiores receitas, lucros e consequente valorização das ações. O contexto pós 2016 contava com uma demanda de consumo reprimida, herança de um período de relevante desaceleração econômica no Brasil, que, tal qual mola comprimida, esboçou movimentos de expansão.


Tal fenômeno pode ser materialmente evidenciado através das curvas históricas do INEC - Índice Nacional de Expectativa do Consumidor, o qual é utilizado para identificar a tendência de consumo das famílias.



O gráfico acima ilustra uma realidade que é de conhecimento dos brasileiros: a tão aguardada (e precificada) retomada econômica, com o consumo das famílias em pleno vapor, ainda não se materializou. E agora com a crise provocada pelo Coronavírus, este cenário está mais distante do que nunca.


Para entender os possíveis desdobramentos desta crise para as ações da Magazine Luiza - podendo estender tal raciocínio às demais varejistas - é necessário entender os possíveis impactos desta crise no varejo.


O que essa crise vai significar para o varejo?


Primeiramente, cabe deixar claro que não tentamos prever o futuro. Nosso objetivo é trazer uma visão de racionalidade ao cenário macroeconômico, analisando com frieza alguns cenários possíveis. O primeiro impacto é de simples identificação: a declaração de quarentena e o consequente fechamento das lojas acarretará sérios prejuízos ao varejo físico.


É praticamente consensual - não apenas no Brasil, mas no mundo - que de modo otimista, o primeiro semestre do varejo está perdido. Ainda, se considerarmos o fim da quarentena forçada no início do segundo semestre, é razoável esperar que haja uma inércia na retomada do movimento dos clientes; entendemos que a confiança para retomada das atividades é um processo, de modo que o movimento em shoppings e centro comerciais deve retornar gradativamente. Esta eventual curva de retomada tem o potencial de atrasar a recuperação das vendas.


A esta altura, se tratando de Magalu, você pode estar se perguntando: "Mas Magazine Luiza tem forte presença no e-commerce, ela seria menos afetada pelo fechamento dos centros comerciais!"


Sim. Porém, isto não é tudo.


De fato, aproximadamente metade das vendas da Magazine Luiza é proveniente de canais digitais. Entendemos que essa forte presença digital é um dos pilares da precificação do papel, visto que é um segmento em consolidação no Brasil, com grande potencial de crescimento no longo prazo. Contudo, esta crise que nos assola tem o potencial de elevar assustadoramente o nível de desemprego no Brasil.


A tendência macroeconômica vinha sendo marginalmente positiva, sob a ótica das médias móveis, conforme observamos através da análise do IAEmp - Indicador Antecedente de Emprego, publicado pela FGV.

IAEmp dessazonalizado. Fonte: FGV

Trazendo à nossa reflexão a excelente colocação do economista da FGV Rodolpho Tobler, em fevereiro/2020:


“Depois de três altas consecutivas, o IAEmp acomodou em nível acima dos 90 pontos. O resultado mostra que apesar da trajetória positiva do mercado de trabalho nos últimos meses, a ligeira queda pode sugerir cautela com a continuidade da recuperação considerando o cenário de alta incerteza econômica.


Tomamos a liberdade de destacar o cautela por conta do cenário de alta incerteza econômica. E este cenário era antes da proliferação do Coronavírus no Brasil, como temos hoje. É natural entendermos que tal incerteza pré-existente aumentou exponencialmente nos últimos 30 dias.


O Governo está tomando diversas ações para mitigar os efeitos desta crise, e importantes personagens do Mercado já falam de um novo Plano Marshall. Contudo, mesmo com ações para facilitar o acesso ao crédito, um grande impacto será percebido pelas Micro e Pequenas empresas. Conforme dados do SEBRAE (Fonte), os pequenos negócios representam mais de 50% dos empregos no Brasil.


Nesta conjuntura, entendemos que é possível delinear algumas consequências:


  • Inevitavelmente, como em toda crise, empresas irão fechar. O setor de turismo, por exemplo, que atualmente emprega mais de 1 milhão de pessoas, tende a ser o mais afetado. Pequenos hotéis, pousadas, restaurantes, agências de turismo são exemplos de estabelecimentos que estão na linha de frente dos efeitos da crise.

  • Empresas que, sem posição de caixa, necessitem tomar empréstimos para fazer frente a sua necessidade de capital de giro, possivelmente irão rever custos, tornar as equipes cada vez mais enxutas e reduzir ao máximo o número de novas contratações.

  • Uma eventual diminuição na qualidade da carteira de crédito dos bancos ocasionaria uma elevação nas despesas com PDD, o que poderia causar uma elevação nas taxas de juros praticadas, elevando o custo de dívida das pessoas físicas e jurídicas.


Em linhas gerais: quem está empregado pode perder o emprego, e quem está desempregado pode encontrar (ainda mais) dificuldades para se recolocar.


Tais ponderações justificam a tese que queremos apresentar: entendemos que haverá uma redução relevante na Expectativa de Consumo das famílias. No bom português: muitas pessoas pensarão duas vezes antes de ir às compras, seja no meio físico ou digital.


O que isso pode significar para a Magazine Luiza? Façamos uma simulação.


Simulação dos impactos da crise nos resultados da Magalu (MGLU3) em 2020

Consideremos as seguintes premissas para simular e mensurar a ordem de grandeza dos impactos da crise nos resultados da Magalu em 2020:


  • Primeiro semestre de 2020: queda de 70% das vendas por canais físicos e 25% das vendas por canais digitais, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

  • Segundo semestre de 2020: recuperação gradual das vendas, tendo queda de 35% das vendas por canais físicos e 10% das vendas por canais digitais, também em comparação com o mesmo período do ano anterior.

  • Margem EBITDA de 2020 estabilizada em 8,0%.


Neste cenário, o resultado seria o seguinte:


Projeção de resultados da Magalu conforme premissas. Elaborado por Sharb Investimentos

Observação: para cálculo da composição da receita em termos de canais físicos e digitais em 2019, consideramos para o 1S19 o percentual aferido no 2T19 e para o 2S19, o percentual no 4T19.

Projeção EBTIDA Magalu em 2020. Elaborado por Sharb Investimentos

Considerando o EBITDA nominal de 2019, de R$1.775,50 milhões, tal cenário representaria uma queda de 42% no EBITDA. Tal queda está em linha com o que a queda no valor das ações neste ano (~40%), portanto entendemos que um cenário desta natureza está precificado.


Com tudo isso, vamos à questão chave: as ações MGLU3 vão voltar a subir?


No curto prazo, tudo pode acontecer, dado que o mercado é maníaco-depressivo. Contudo, entendemos que boa parte do cenário negativo já está precificado e na ausência de novas ocorrências relevantes (leia piora significativa da disseminação do vírus no Brasil) a manutenção do atual patamar de preços é a tendência natural.

No longo prazo, entretanto, partimos da premissa de que esta crise, como todas as outras, será superada. Os empregos voltarão a ser criados, a confiança aos poucos retornará e o mercado se aquecerá, embutindo nos preços a retomada da expectativa de crsecimento.


Investidores que acreditem no cenário positivo de longo prazo podem avaliar a possibilidade de inclusão dos papéis de varejo em suas carteiras. É até possível que Magalu saia mais forte da crise, elevando seu marketshare, já que, como vimos, a tendência é que muitos players menores desapareçam. Mas não tenham dúvidas: o caminho até a recuperação será de muita volatilidade.




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DISCLAIMER

Este artigo não tem por objetivo, de maneira alguma, efetuar recomendação de compra ou venda do ativo. Tal recomendação deve ser efetuada por profissional credenciado, conforme perfil do investidor. A eventual tomada de decisão de investimento é de responsabilidade do investidor e seus assessores.

Este artigo visa apenas ilustrar uma visão conceitual/educacional sobre a empresa, seu mercado e suas eventuais perspectivas de negócio.

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